quarta-feira, 4 de março de 2015

SAUDADES


Hoje acordei com aquela saudade melancólica, que faz as lembranças virarem a única coisa boa que um dia houve em nossas vidas.
Estou com saudade da minha mãe me chamando para ir à escola.
Do meu pai chegando do trabalho e eu escondida atrás da porta do banheiro para assustá-lo.
(Como ele odiava isso)
Das idas ao zoológico com a mãe e a irmã.
Das idas ao Ibirapuera com o pai, para aprender a andar de bicicleta e pra nos conhecermos melhor.
Ela sempre prática.
Ele sempre teórico.
Ela queria todos em pé, queria que tivéssemos hora para sair de casa, sempre estávamos atrasados já que ela sempre teve muita disposição, muito mais que todos nós.
Ele querendo saber o que sentíamos, como nos sentíamos em relação aos amigos da escola.
Ele sempre ocupado, ela sempre para nós.
Porque ser pai acho que é isso, um jogo de acertos e erros. Eles aprendendo com a gente e nós com eles....
E hoje me deu aquela vontadezinha de voltar para aquela velha cama, só para espera-la.
De chegar em casa e ficar conversando com ele sobre tudo que acontece na minha vida e quanto é confuso viver. E aprender. E cair. E levantar. E namorar. E trabalhar. E sorrir quando não se quer sorrir.
Como dizem por ai: Tá puxado!!!!
Puxado porque a responsabilidade pesa. Porque decidir pesa. Porque o trabalho pesa. Porque ser feliz pesa, porque para ser feliz precisamos fazer todo o resto. Porque para ter uma vida que realmente valha a pena temos que seguir nossos instintos sem passar por cima das pessoas. Como eles me ensinaram.

Porque terminar esse texto tá pesado e sabe, eu não queria “ter que” nada então assim que será, ficará sem final, porque hoje eu só levando quando ela me chamar para ir à escola.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O lado espetacular da violência

Nos dias de hoje onde a violência é justificada pelo narcisismo, pela individualidade e egoísmo excessivo. O que se procura com toda essa violência?
Por um lado, a violência se justifica porque alguns seguem ordens, porque este e o seu trabalho. Por outro lado, outros seguem ideologias.
E qual a diferença do menino preso ao poste e a casa incendiada de uma torcedora? Na cabeça dos adaptados, toda. Já que a menina “não fez nada demais” e virou vítima em uma situação onde é a agressora. A sociedade tem essa capacidade de tornar herói bandido e bandido em herói, sem sabermos quem é quem em sua definição.
Mas já paramos em algum momento para pensar que a sociedade está em eterna mudança e aquele que fica estagnado em um ponto de raciocínio se torna doente?
A vida não aceita reversibilidade, ninguém volta ao seu estado anterior. Pode haver arrependimento, mas ele e só. 
Uma sociedade saudável é aquela que aceita a diversidade e que domina as situações perigosas.
Seguindo ordem ou ideologia, sem julgamentos de certo e errado, estão seres humanos buscando sua humanidade. Aquele estado que para ser alcançado deve derivar do desiquilíbrio completo para que o homem reconheça profundamente a própria alma.
E ao final, aquele que não existe, espero que ainda tenha muita diversidade, muita polaridade, muito o que perder, muita anomalia produtiva já que acho que muitos de nós já percebemos que o normal é banal, já que só aquele que se perde por completo em suas próprias idéias e ideais se torna qualitativamente melhor. 
Estamos em estado de mudança. Então não só os móveis devem se mover, mas os imóveis também e mesmo não fazendo sentido, já que quem faz sentido é soldado, e soldado também pode ser violento e ai voltamos para o início do texto, reflete muito da minha posição política pessoal.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014



A austeridade...
Toda diferença de pensamento é sempre uma ameaça em que o culpado é sempre o outro com suas opiniões contrárias.
O problema está no abandono dos instrumentos comunicacionais. A partir do momento em que há divergência de ideias as pessoas se tornam inimigas, agressivas e violentas.
A intersubjetividade onde o sujeito sou apenas eu e os outros apenas objeto, sendo que, o objeto só se torna sujeito a partir do momento em que nos relacionamos com o mesmo, que exista o conhecimento do mesmo, mas como pode ocorrer o conhecimento do outro se a violência da diferença vem antes do conhecimento?
Desta forma vemos que a ética não mais existe e as leis vem para garantir a mesma já que as relações interpessoais estão cada vez mais bárbaras, e como existir uma ética comum se as culturas são tão diferentes?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

OS AMORES SOCIALMENTE IMPOSTOS

Desde pequena me senti diferente, mas, diferente no sentido ruim da coisa, sendo que, quando se é pequena e jovem tudo que você não quer ser é diferente. 
No inicio foi uma coisa que tentei lutar contra, mas com o passar dos anos e com o amadurecimento e o nada a provar para ninguém, aos poucos fui assumindo a minha falta de amor. 
As pessoas sempre se assustam ou acham que é piada quando alguém diz não gostar de ter contato com a natureza. 
Sempre me perguntei por que ficar 30 dias em um mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, que no meu caso ainda piora por ter a pele cor de rosa e sardenta, tentando ser algo que não sou e nunca serei (bronzeada) para chegar no escritório, faculdade ou em uma roda de amigos e mostrar o tanto que se aproveitou as férias, já que há muito tempo descobri que as pessoas medem o seu aproveitamento a partir da quantidade de melanina que seu corpo produziu para fazer aquela mágica marca de biquini tão desejada. 
E irmãos, mães, avós, cachorros dos parentes ou crianças dos mesmos, porque DEVEMOS amá-los. 
Poxa, eu sempre achei que amor é um sentimento otário, aquele que vai muito além do que você gostaria que fosse descontrolado e desgovernado, muitas vezes indo pra lados não previstos e em uma velocidade muito além do que é permitido, mas, alguns amores são amadurecidos, apurados e muitas vezes quando tiramos esse amor da devida conserva, o gosto muitas vezes não é o esperado. 
Muito pior do que não gostar da natureza é não ter ou manter vinculo algum com alguém do seu núcleo familiar. 
É sua obrigação gostar dos seus ascendentes e descendentes ou colaterais, mesmo que os mesmos sejam facilmente substituídos por algum amigo, daqueles do “tamojunto”. 
Mas, calma-lá, obrigatoriedade e amor são palavras tão distintas que jamais deveriam caminhar juntas, mas caminham e junto a essa caminhada vem a culpa, a culpa por não fazer o que é socialmente aceitável, ou melhor, exigido. 
Então por ter a obrigação de amar certas pessoas tenho que passar por cima de mim e me sentir culpada todas as vezes que penso: eu não gostaria que você morresse só queria que desaparecesse. 
Pois é, e por admitir minhas esquisitices eu estou aqui para dizer que não importa quem você ama se é seu amigo ou sua mãe ou se é seu amigo e sua mãe, o amor é seu e só terá um pouco dele quem se fizer merecedor. 
 E mais, declaro para os devidos fins que sou uma pessoa que sofre de falta de amor socialmente imposto, mas admito que as vezes a saudade dá o tempero.

terça-feira, 10 de setembro de 2013


A VIDA COMO UM COMERCIAL DE SUPER-MERCADO

Hoje, sentada no primeiro banco do ônibus, aquele que fica ao lado do motorista, presenciei algumas coisas que me fizeram pensar no sentido da vida.
Claro que estar em crise ajuda bastante neste momento, mas, o motorista estressado e as senhoras gentis, fizeram minha cabeça voar a mil no que estou fazendo da minha própria vida.
Elas bem velhinhas, todas gentis ao descerem do ônibus, que, diga-se de passagem, não deve ser nada fácil depois de certa idade, e ele, o motorista, ainda jovem e bem estressado com as escolhas que fez na vida...
Pensava nelas, e em sua longa vida e no que poderiam ter feito aquelas senhoras para se tornarem senhoras tão gentis, cheguei a conclusão de que com certeza elas não foram motoristas de ônibus.
Eu por outro lado, pensando em minhas escolhas e me perguntando: se chegar a essa idade, serei como elas ou como o motorista, sempre estressado por ter feito escolhas erradas, será que terei que chegar nesta idade para olhar para trás e ver os erros cometidos?
O que eu escolhi me faz feliz?
Neste momento um rapaz no farol entrega um jornal ao motorista e nele leio: Aprovada mais uma faixa exclusiva para a 23 de maio, uma foto da Dilma abaixo e um senhor (que eu não identifiquei) no cantinho superior direito da página.
O motorista grita para o cobrador: Agora sim São Paulo vai parar (foi isso que entendi)
O cobrador responde algo que não entendo e o motorista continua: Deveriam ter feito isso há muito tempo.
Eu pensando: Nossa, que legal ele pensar isso. (só deu tempo de pensar isso, logo ele acabou com meus devaneios)
Neste momento ele dá um murro na foto do senhor que está no canto direito e grita: velho fdp!!!
Agora eu queria muito saber quem era aquele senhor então ele me responde sem saber do meu questionamento: Esse Murucy saiu do São Paulo agora querem que salve, não tem como.
Eu, rindo por dentro, sendo “São Paulina”, não sabendo quem era aquele senhor e pensando: Claro que eles estão falando de futebol, do que mais estariam falando com toda essa animação?
Já estava chegando meu ponto, tive que sair do meu camarote e fui para a porta de saída do ônibus. Neste momento, ainda sorrindo por dentro pensei: já sei o que me faz feliz, sei o que me tornaria uma senhora gentil.
Observar o cotidiano e escrever sobre ele, isso me faz realmente feliz...

E quanto a você, “o que faz você feliz”?

terça-feira, 3 de setembro de 2013


Os olhos


Mais um dia...
Sentada em frente ao computador vendo fotos antigas penso: o que está faltando?
Muitas coisas vem a mente, e penso que na época das fotos não tinha muitas das coisas que tenho hoje, mas uma coisa que tinha e agora me faz muita falta é o brilho nos olhos.
O brilho nos olhos que só que está realizando tem.... o assunto e a empolgação e não a reclamação e a falta... ai, que falta....
A eterna busca da satisfação cansa muito no meio do caminho.
Fazer alguma coisa focada só em mim...
Na verdade eu queria saber sem erro, tipo: mãe, o que eu devo fazer?
Assim não precisaria lidar com a escolha errada, já que não foi minha.
A gente cresce, mas acho que a única coisa que gostaríamos é não precisar lidar com tantas escolhas e o medo infantil de errar nas mesmas.
Ai, como eu queria ter desejos normais e me realizar com as coisas simples como: tem um empreguinho, casar, ter filhos, arrumar a casa, gostar de cozinhar.... Porque? Porqueeee?
Mas não, eu quero conhecer lugares e culturas.
Quero sentir o gosto do mundo.
Tocar nas culturas mais distintas.

Quero um bulldog e amigos falantes ao redor da mesa.
Quero sorvete com calda acompanhado de belos filmes.
Quero meu companheiro sendo sempre minha melhor companhia.

E que o mundo tenha gosto de caramelo e que sempre esteja na prateleiras da geladeira, pronto para ser consumido sem data de validade!!!